Você também já reparou que a palavra aposentadoria soa mais como algo distante até que… se torna urgente? Investir para o futuro, infelizmente, ainda para muitos é um sentimento controverso e semelhante a dar dinheiro para um desconhecido na rua. Enquanto muitos jovens sonham com a tal “velhice tranquila”, quando chegam lá, descobrem que só começaram a se planejar tarde demais, ou seja, cinco anos antes de pendurar as chuteiras. Um clássico “de última hora” que a Serasa e o Opinion Box confirmaram em sua pesquisa que ouviu 1.052 pessoas aposentadas, ou prestes a se aposentar, em janeiro de 2025. Tudo isso, diante de uma geração que prefere buscar cada vez mais atalhos financeiros de preferência, sem o esforço de uma poupança mensal para atingir este objetivo de longo prazo, subestimando aquilo que pode levar mais tempo, mas que demonstra SEMPRE, em todas as vezes, ser mais assertivo, que é se preparar para esta nova etapa da vida por meio de um bom planejamento financeiro para a aposentadoria.
A preparação para a aposentadoria ainda é um dos grandes pontos de vulnerabilidade financeira da população brasileira. Pesquisas recentes revelam que a maioria dos trabalhadores inicia o planejamento muito tardiamente — quando não o negligencia completamente. Essa demora, embora comum, traz consequências significativas tanto para a qualidade de vida na terceira idade quanto para a sustentabilidade do sistema previdenciário nacional.
De acordo com levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), apenas 23% dos brasileiros declaram investir com foco na aposentadoria. O dado ganha relevância quando comparado à expectativa de vida divulgada pelo IBGE, que antes era de apenas 62 anos em 1980 e hoje é de 76 anos, indicando que grande parte da população viverá mais tempo e, portanto, necessitará de recursos financeiros por um período mais prolongado.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) reforça esse quadro ao mostrar que muitos trabalhadores só passam a se preocupar com a aposentadoria por volta dos 40 a 45 anos, quando o tempo de acumulação de patrimônio já está bastante reduzido. Esse atraso compromete a formação de reservas adequadas, exigindo aportes financeiros muito mais elevados do que se o planejamento tivesse sido iniciado na juventude.
O impacto é ainda mais evidente quando se considera a transição demográfica em curso no país. O Brasil caminha para ter, em 2030, mais idosos do que crianças, segundo projeções do IBGE. Esse envelhecimento populacional pressiona o regime público de previdência e amplia a necessidade de cada indivíduo construir alternativas privadas de renda futura.
Com o efeito dos juros compostos que, neste momento de taxas elevadas com uma Selic a 15% ao ano, permitem que os investimentos dobrem a cada 4,8 anos, facilitando o acúmulo do patrimônio para garantir uma aposentadoria mais confortável. Contudo, a baixa cultura de educação financeira no país, somada a hábitos de consumo imediatista, dificulta a adoção dessa prática.

A desconcertante pressa para se planejar
Segundo esta pesquisa da Serasa, com autoria do Opinion Box, demonstrou que:
- 60% iniciaram o planejamento financeiro apenas cinco anos antes da aposentadoria;
- 37% sequer fizeram qualquer planejamento financeiro para o futuro e contam com a sorte ou com a ajuda de alguém lá na frente para poderem se sustentar;
- 53% precisaram continuar trabalhando para pagar as contas. Neste aspecto, você conhece alguém que, mesmo aposentado, continua trabalhando? A resposta provavelmente deve ser sim, mas será que é pelo prazer de continuar ativo e prestando relevantes serviços à comunidade ou, na maioria dos casos, é por necessidade de manter seu padrão de vida atual e, até mesmo, a sua própria sobrevivência? Dados estatísticos demonstram que um a cada quatro pessoas com mais de 60 anos continua trabalhando. Um aumento de 69%, segundo dados da pesquisa FGV/IBGE.
- Dentre os que se planejaram, 70% começaram a buscar renda extra apenas nos últimos cinco anos antes de parar.
E o impacto dessas decisões tardias mostra que:
- 48% relatam instabilidade financeira;
- 45% têm preocupações com o endividamento;
- 64% dizem que a aposentadoria é insuficiente para manter o padrão de vida desejado;
- 60% precisaram recorrer a crédito ou a empréstimos para enfrentar despesas básicas, como os gastos com alimentação, que ficam em primeiro lugar, seguido pelos cuidados com a saúde, que incluem o custo manutenção de um plano de saúde e com a aquisição de medicamentos.
O Brasil que não se prepara e perde tempo com o endividamento ao invés de preparar a aposentadoria
A pesquisa da ANBIMA, em parceria com o Datafolha, trouxe outra triste realidade entre os não aposentados com mais de 16 anos:
- Somente 19% começaram a formar uma reserva para a aposentadoria. Ou seja, 2 em cada 10 estão de fato preocupados com o assunto e estão se preparando para isso.
- Na classe D/E, só 10% pensam em reservar algum valor para o futuro financeiro, contra 32% da classe A/B que por outro tem maior poder de poupança.
- 58% ainda dizem que pretendem poupar para a aposentadoria, mas boas intenções não constroem estoque financeiro suficiente para uma velhice digna e sim ações concretas e consistentes por meio de investimentos mensais frequentes.
Diante deste cenário é fundamental que o debate sobre políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à educação financeira ganhe sua devida relevância. Programas de conscientização, inserção de conteúdos de finanças pessoais nas escolas e maior incentivo fiscal para investimentos previdenciários são caminhos possíveis para reverter o quadro atual de deficiência educacional financeira e de planejamento para a aposentadoria.
Planejar a aposentadoria não deve ser visto apenas como uma escolha individual, mas como uma necessidade coletiva. A postergação dessa decisão compromete não só o bem-estar dos futuros aposentados, mas também a estabilidade econômica e social do país. O tempo, nesse caso, é o recurso mais precioso e o atraso custa caro.
Para isso, é primordial que você planeje seu futuro ao invés de contar apenas com a sorte e busque sempre a a orientação de um planejador financeiro com a certificação CFP® para que ele possa auxiliá-lo com os devidos cálculos necessários para a acumulação de recursos suficientes para uma aposentadoria mais próspera e mais digna.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações públicas e privadas.