Endividamento recorde no Brasil: por que ganhar mais não tem sido suficiente

O Brasil vive um paradoxo silencioso e preocupante. De um lado, os indicadores mostram avanços importantes na renda e na redução da pobreza da população brasileira, em que, segundo dados recentes do IBGE indicam que, o país atingiu o menor nível de pobreza e extrema pobreza da série histórica, ao mesmo tempo em que registra aumento da renda média do brasileiro.

Do outro lado, um dado chama atenção: o nível de endividamento das famílias brasileiras segue em alta e atingiu, em janeiro, 29,3%, em seu pior nível da série histórica.

A pergunta que surge na conjuntura atual é: se o brasileiro está ganhando mais, por que continua cada vez mais endividado?

A resposta não está apenas na renda. Está no comportamento e nas decisões financeiras de um povo que ainda carece de educação e conscientização financeira.

O problema não é só quanto se ganha

Existe a crença de que aumentar a renda, por si só, resolve automaticamente os problemas financeiros. Na prática, isso raramente acontece. Basta lembrar que, no passado, muitas pessoas ganhavam muito menos do que ganham hoje e acreditavam que, ao dobrar a renda, suas dificuldades financeiras desapareceriam. Mas será que, mesmo com o aumento dos ganhos, a situação financeira realmente melhorou?

Sem a devida mudança de hábitos, o aumento de renda tende a vir acompanhado de maior consumo e, consequentemente, de mais endividamento.

Esse fenômeno é conhecido no planejamento financeiro como “inflação do padrão de vida”. À medida que a renda cresce, o estilo de vida acompanha. O problema é que, com mais dívidas, também não há espaço para a criação de uma reserva de emergência, e é aí que os problemas aumentam, pois, sem um colchão financeiro, tomar crédito a uma taxa nas alturas se torna inevitável.

O resultado é um ciclo perigoso: ganha-se mais, gasta-se mais e, mesmo assim, continua faltando dinheiro. A vida financeira se desorganiza, os impactos chegam à vida social e ao trabalho, e a sensação é sempre a mesma: sobra mês no fim do salário.

Endividamento também é emocional

Estudos sobre longevidade financeira mostram que hábitos financeiros desorganizados impactam diretamente a saúde mental.

O endividamento deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a ser um problema de Qualidade de Vida para as famílias.

É justamente nesse ponto que muitas políticas públicas ainda falham em alcançar profundidade. O problema vai além da renda e está diretamente ligado aos aspectos emocionais e à educação financeira de uma população que ainda não aprendeu a poupar e investir. Em vez disso, prioriza o consumo imediato, deixando de lado a prudência e a construção de segurança para o futuro.

Medidas emergenciais ajudam, mas não resolvem

Iniciativas como a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do FGTS para quitação de dívidas são válidas e necessárias para estancar a hemorragia financeira; porém, elas oferecem apenas um alívio imediato, especialmente para famílias pressionadas por juros elevados.

Mas é preciso deixar claro: isso trata o efeito, não a causa, porque, se o comportamento financeiro não muda, a dívida tende a voltar.

Sem educação financeira, o FGTS vira apenas uma pausa no problema comportamental financeiro.

Educação financeira como forma de eliminar e evitar dívidas

O Brasil ainda é, historicamente, uma sociedade mais voltada ao consumo do que à construção de patrimônio, e isso não muda com aumento de renda. Muda com educação. No Japão, as famílias estão entre as que mais poupam no mundo, com uma taxa de poupança média mensal que já atingiu cerca de 29,76% da renda familiar.

Educação financeira não é sobre investir na bolsa ou buscar altos retornos. É sobre tomar boas decisões no dia a dia.

É saber diferenciar necessidade de desejo.

É entender o impacto do crédito e dos juros compostos.

É planejar antes de consumir para evitar jogar dinheiro fora.

É criar previsibilidade no orçamento para evitar gastar mais do que se ganha.

Sem isso, qualquer aumento de renda será absorvido pelo consumo, e os dados mostram que o Brasil evoluiu em renda e redução da pobreza, mas também mostram que isso, por si só, não resolve o problema financeiro das famílias.

Não basta ganhar mais; será preciso saber administrar melhor aquilo que se tem para conquistar aquilo que se quer.

Medidas emergenciais são importantes e muito bem, mas a solução estrutural significativa passa, inevitavelmente, pela educação financeira da população.

Porque, no fim das contas, prosperidade não está no quanto se ganha.

Está no que se faz com o que se ganha.

E, por fim, se você almeja entender mais sobre o tema Educação Financeira, procure sempre o auxílio profissional de um Planejador Financeiro com a certificação CFP®, que lhe conduzirá rumo a uma vida financeira mais equilibrada e planejada!Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações públicas e privadas.

                                                

E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br
WhatsApp: (12) 3014 3452

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