Entrevista para o Programa Viva a Tarde – TV Aparecida (17/06/2026)

Empréstimo, cartão de crédito ou financiamento: como escolher a melhor opção e evitar o superendividamento

Você sabe realmente qual é a diferença entre um empréstimo pessoal, um financiamento, um crédito consignado ou até mesmo o limite do cartão de crédito? Embora todos sejam formas de acesso ao crédito, cada modalidade possui características, custos e finalidades bastante diferentes.

Em um cenário em que milhões de brasileiros convivem com algum tipo de endividamento, entender como funciona cada linha de crédito deixou de ser apenas uma questão financeira e passou a ser uma necessidade para preservar o patrimônio, a tranquilidade e a qualidade de vida.

Nesta entrevista, o planejador financeiro Rogério Nakata explica de forma simples como funciona cada modalidade de crédito, quais são os principais riscos e como tomar decisões mais conscientes antes de assumir uma nova dívida.

O crédito pode ser um aliado ou um grande problema

O crédito, por si só, não é um inimigo. Pelo contrário. Quando utilizado de forma planejada, ele permite antecipar sonhos, financiar projetos importantes e até reorganizar as finanças.

O problema começa quando o consumidor deixa de analisar o custo da operação e passa a utilizar o crédito como complemento da renda mensal.

É importante lembrar que qualquer valor emprestado deverá ser devolvido acrescido de juros, tarifas e encargos financeiros. Quanto maior o prazo e a taxa de juros, maior será o custo final da dívida.

Por isso, antes de contratar qualquer operação, vale responder três perguntas fundamentais:

  • Eu realmente preciso deste dinheiro?
  • Minha renda comporta essa nova parcela?
  • Existe uma alternativa mais barata?

Essas três perguntas podem evitar anos de dificuldades financeiras.

Conheça as principais modalidades de crédito

Cada modalidade foi criada para atender uma necessidade diferente.

Empréstimo pessoal

É uma das formas mais rápidas de conseguir dinheiro. Normalmente não exige garantia, mas, justamente por representar maior risco para a instituição financeira, costuma apresentar juros mais elevados.

Pode ser uma boa alternativa para emergências, desde que a parcela caiba confortavelmente no orçamento.

Crédito consignado

Nesta modalidade, as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício previdenciário.

Como o risco de inadimplência é menor para a instituição financeira, os juros costumam ser significativamente inferiores aos do empréstimo pessoal.

Apesar disso, o consignado também exige planejamento. Comprometer parte da renda por vários anos pode reduzir a capacidade financeira da família diante de imprevistos.

Financiamento

É indicado para aquisição de bens específicos, como imóveis ou veículos.

O próprio bem normalmente serve como garantia da operação, permitindo taxas menores do que um empréstimo tradicional.

Ainda assim, é fundamental avaliar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, seguros, tarifas e demais despesas envolvidas no contrato.

Cartão de crédito

Quando utilizado de forma consciente, pode ser um excelente meio de pagamento.

O grande problema aparece quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura e entra no chamado crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado brasileiro.

Uma compra aparentemente pequena pode transformar-se em uma dívida muito maior ao longo dos meses.

Cheque especial

O cheque especial deve ser utilizado apenas em situações extremamente excepcionais.

Embora ofereça acesso imediato ao dinheiro, suas taxas de juros figuram entre as mais elevadas do sistema financeiro nacional.

Utilizá-lo de forma recorrente costuma ser um forte sinal de desequilíbrio financeiro.

Como evitar a bola de neve das dívidas

Especialistas em educação financeira costumam recomendar que o comprometimento das parcelas fique entre 20% e 30% da renda líquida familiar.

Ultrapassar esse limite reduz a capacidade de lidar com imprevistos e aumenta significativamente o risco de inadimplência.

Outro erro bastante comum é buscar soluções milagrosas para eliminar dívidas.

Promessas de redução imediata dos débitos ou quitação por valores irrisórios merecem cautela. A recuperação financeira acontece por meio de organização, disciplina e planejamento, não por atalhos.

Vale a pena trocar uma dívida por outra?

Em muitos casos, sim.

Quando uma pessoa possui dívidas caras, como cartão de crédito ou cheque especial, pode ser financeiramente vantajoso substituí-las por uma linha de crédito com juros menores.

Essa estratégia, conhecida como portabilidade ou troca de dívida, pode reduzir significativamente o custo financeiro.

No entanto, ela só funciona quando acompanhada de uma mudança de comportamento.

Trocar uma dívida cara por outra mais barata e continuar utilizando o limite do cartão de crédito é uma das principais causas do superendividamento.

Programas de renegociação também podem ajudar

Iniciativas como o Desenrola Brasil mostraram que programas de renegociação podem oferecer condições bastante vantajosas para consumidores inadimplentes.

Descontos relevantes para pagamento à vista ou parcelamentos com juros menores permitem que muitas famílias recuperem o equilíbrio financeiro e reconstruam seu histórico de crédito.

Antes de contratar um novo empréstimo para quitar dívidas antigas, vale sempre verificar se existe algum programa de negociação disponível.

Educação financeira é o melhor investimento

Mais importante do que saber onde conseguir crédito é compreender quando utilizá-lo.

Planejamento financeiro, controle do orçamento e consumo consciente continuam sendo as ferramentas mais eficazes para evitar o endividamento e construir uma vida financeira saudável.

Se você deseja entender melhor como escolher a modalidade de crédito mais adequada, evitar armadilhas financeiras e tomar decisões mais inteligentes com o seu dinheiro, assista ao vídeo desta página.

A informação correta hoje pode representar milhares de reais economizados no futuro.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas educação financeira e planejamento financeiro em grandes organizações públicas e privadas.

E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

WhatsApp: (12) 3014 3452

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